Quase um mês depois de ter me inscrito no Ciência sem Fronteiras e ter realizado o TOEFL, chegamos a um balanço do processo até agora. Para começar, é importante destacar a incrível inaptidão da central de atendimento do CNPq/Capes para responder a dúvidas dos candidatos: os atendentes sempre repassam sua informação para "o nível superior" e a resposta que chega no seu e-mail, quase sempre, é um copy and paste do edital que a gente já tá careca de saber.
Essa falta de informação, inclusive, motivou a minha mudança quanto ao país de destino. Como 99,9% dos candidatos, eu tinha o sonho de ir para uma universidade americana. Os EUA são, reconhecidamente, uma nação de excelência em pesquisa e extensão (tanto que, no ranking das 200 melhores universidades do mundo, 75 são americanas). Contudo, o contato com um órgão parceiro cuja sede fica em Nova Iorque e se dá todo em inglês dificulta demais quando você precisa sanar uma dúvida que o CNPq imprestável se mostra incapaz de ajudar.
Mudando os planos
Mudando os planos
| Como não querer morar em um lugar como esse, Xêssus? |
Optei pela Austrália, sobretudo, pela quantidade de vagas (são 1000 bolsas), mas também por algumas particularidades que vou explicar.
1) O órgão parceiro australiano que fornece as bolsas é a Latino Austrália, uma instituição internacional que possui escritórios fixados no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre;
2) Quanto precisei conversar a respeito do edital, consegui falar diretamente com a coordenadora de bolsas do CsF, a Erika Watanabe, que não só me respondeu em um dia como se mostrou entusiasmada com minha candidatura e me incentivou a prosseguir. A Erika é uma pessoa extremamente solícita e mesmo com minhas dezenas de e-mails, nunca mostrou má vontade em me retornar nenhum;
3) Latino Australia te ajuda em TODO o processo, desde a obtenção e implementação da bolsa, passando por burocracias do visto e acomodação na cidade de destino. Isso tudo sem cobrar um centavo pelo serviço. Além disso, a instituição possui escritórios em Sidney e em Adelaide para eventualidades que possam te ocorrer no intercâmbio;
4) As universidades australianas parecem realmente afim de receber os estudantes, ao contrário das americanas, que o tempo todo lidam contigo como se estivessem lhe fazendo um grandessíssimo favor do qual você não pode reclamar nem contestar;
5) O Go8, que oferece as bolsas, é uma liga das melhores universidades australianas, quase todas no ranking das 200 melhores do mundo (se não me engano, só a Western Australia e a Adelaide University não estão na lista). Isso conta bastante no currículo;
6) Quando procurei por intercambistas pelo mundo, no site do CsF, a Austrália era o país que mais concentrava alunos de comunicação, sendo que nos EUA não havia nenhum. Também foi o único local onde vi uma estudante de Jornalismo bolsista, enquanto que na maioria dos outros países, comunicação é quase sinônimo de publicidade;
7) Ao contrário dos EUA, na Austrália você pode escolher a universidade que vai. Claro, ela precisa te aceitar né, mas é melhor que cair numa roleta russa que pode te mandar para Nova Iorque, mas que também pode te mandar para o Alasca;
Claro, é necessário levar em conta o custo de vida por lá, que não é nada barato. Para se ter uma ideia, um serviço básico de internet custa em torno de 40 dólares australianos por semana (algo em torno de 90 reais ou, se preferir, 360 reais por mês. Sim, você leu certo). Estou consciente de que, caso passe, o dinheiro da bolsa do CNPq nem de longe vai conseguir cobrir meus custos integralmente e terei de recorrer à "paipança". O visto de estudante te dá direito a trabalhar por 20 horas por semana, o que pode complementar sua renda.
Também tem a questão do fuso, que vai separar você de meio mundo (literalmente). 13 horas de diferença obrigarão seus pais, irmãos e amigos a acordarem bem cedo para poderem falar com você. O vôo para a Austrália demora em torno de 20 horas, isso se você tiver a sorte de escolher um que não tenha escalas; do contrário, prepare-se para uma jornada de dois dias que lhe separam do Brasil para o outro lado do mundo.
Porém, tem a questão do lazer. Se você for ficar em Perth, um vôo para Cingapura sai por pouco mais de 450 dólares australianos. Imagina só, que bonito, sair em um final de semana e dar uma voltinha na Ásia? Isso sem contar Nova Zelândia, Ilhas Fiji e até mesmo China, destinos muito populares entre os australianos.
Problemas
Em se tratando de governos, eu com certeza teria problemas e não está sendo diferente. O edital do CsF diz que o TOEFL PBT, que foi o que eu fiz, não é aceito para a Austrália. Essa informação é contestada diretamente pela instituição que fornece a bolsa, que inclusive me recomendou a selecionar o iBT no formulário, mas enviar o PBT normalmente. Se isso vai me eliminar, não sei: o CNPq se limitou a colar um pedaço do edital quando o perguntei por mensagem. Sim, é para isso que eles são pagos.
Solicitei à Erika que entrasse em contato com o pessoal de lá para ver essa questão e atualizarei o post quando tudo estiver resolvido (se é que vai estar). Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.
Considerações até agora
Quando for se inscrever, tomem cuidado. Os EUA são um sonho, mas nem sempre o melhor é o mais adequado. Verifique a sua área de atuação, pesquise sobre os bolsistas dessa área que estão por lá e leiam TODOS OS EDITAIS, caso pense em mudar. Mas é pra ler mesmo, umas dez vezes porque lendo já tá desse jeito, imagina sem saber de nada?
Até agora, o que achei mais difícil nem foi se aplicar, mas tentar arrancar alguma informação útil e não-óbvia do CNPq. Minha universidade, coitada, não sabe de nada e sofre com as minhas perguntas sucessivas (deixei uma estagiária tonta com minha sabatina hahaha).
Boa sorte!!
Solicitei à Erika que entrasse em contato com o pessoal de lá para ver essa questão e atualizarei o post quando tudo estiver resolvido (se é que vai estar). Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.
Considerações até agora
Quando for se inscrever, tomem cuidado. Os EUA são um sonho, mas nem sempre o melhor é o mais adequado. Verifique a sua área de atuação, pesquise sobre os bolsistas dessa área que estão por lá e leiam TODOS OS EDITAIS, caso pense em mudar. Mas é pra ler mesmo, umas dez vezes porque lendo já tá desse jeito, imagina sem saber de nada?
Até agora, o que achei mais difícil nem foi se aplicar, mas tentar arrancar alguma informação útil e não-óbvia do CNPq. Minha universidade, coitada, não sabe de nada e sofre com as minhas perguntas sucessivas (deixei uma estagiária tonta com minha sabatina hahaha).
Boa sorte!!



2 comentários:
Ola Igor, tudo bom?? E então, foi selecionado para a bolsa na Austrália??
Meu nome é Gabriel e estudo ciência da computação e fui selecionado para a Australia! Após muita correria consegui praticamente todos os documentos! Tem dois sendo traduzidos esse final de semana e, ao contrário de vc, eu tive sorte na universidade! Tem uma moça lá que, entre outras coisas, é a responsável na área de bolsas e outros projetos do governo do governo federal. Ela praticamente sabe tudo sobre o CNPq!
Nossa Gabriel, só agora vi seu comentário. Então, não, acabou que meu TOEFL não chegou a tempo, agora vou fazer o IELTS e ir em julho. Bem melhor, dá mais tempo de planejar a viagem. Tá indo pra qual universidade?
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