Olá, meu nome é Igor, tenho 19 anos, moro em Belo Horizonte e estudo Jornalismo na PUC Minas. Há duas semanas resolvi me inscrever no Ciência sem Fronteiras, programa do governo federal que oferece bolsas para estudantes de graduação. Geralmente, as bolsas são distribuídas entre alunos de engenharia e ciências da computação, o que me obrigaria a mandar muito bem no exame de proficiência do idioma (uma prova que você faz para mostrar que sabe falar o idioma do país para o qual deseja ir; no caso, EUA).
Bem, no exato momento em que escrevo isso, acabo de terminar meu exame TOEFL e não posso deixar de ficar um pouco decepcionado sobre meu desempenho. Fiz o teste meio de supetão: não sabia da data e, quando resolvi me inscrever, já não restavam vagas a tempo do envio do score para as viagens em Janeiro. Com sorte o João, coordenador do TOEFL aqui em BH, consegui uma vaga para mim junto à ETS para fazer o PBT. O TOEFL é dividido em duas categorias:
- PBT (ou Paper Based Test): É um teste convencional, de papel, divido em três seções: compreensão auditiva, compreensão gramatical e interpretação de textos acadêmicos em inglês. A pontuação é medida numa escala de 310 a 677. Há também uma redação em inglês chamada de TWE e que vale seis pontos, mas ela não entra na média final da prova. Desde 2005, este teste começou a ser substituído pelo teste virtual e hoje, dia 18 de agosto de 2012, foi a última vez que este teste foi aplicado no Brasil. Como fui o último a me inscrever, posso dizer que fui a última pessoa do país a fazer o PBT;
- iBT (ou Internet Based Teste): É um teste on-line, feito nos computadores do centro de aplicação conveniado. Contém quatro bandas de conhecimento: fala, compreensão oral, compreensão auditiva e escrita. Isso mesmo que você leu, diferente do PBT, no iBT você tem que falar. E tem mais, são duas redações e em uma delas, você tem que relacionar dois áudios. Para alguns países, como na Inglaterra, só o iBT é aceito porque possui teste de fluência oral;
Inicialmente pensei em fazer o IELTS, já que tenho mais facilidade com inglês britânico e o exame também é aceito nos EUA. Mas não, lá se foi o idiota escolher o TOEFL porque a maioria das escolas americanas só selecionam por ele. Minha gente, não quero ser pessimista nem nada, mas me afundei. Fiz muito menos do que sabia que era capaz de fazer.
Primeiramente, porque os diálogos apresentados na parte do Listening são muito rápidos e, como meu ouvido já está acostumado com inglês britânico, reconhecer as palavras no americano é muito mais complicado. O problema é que você tem um tempo cronometrado (20, 25 segundos) para ouvir e responder cada questão. Se perder o tempo, já élvis. Até aí, difícil, mas não impossível: mas aí vem as malditas lectures, espécies de reproduções em áudio de uma aula em inglês.
No iBT, você pode fazer quantas anotações quiser sobre o que você ouve para não se perder. Contudo, no PBT você não pode nem triscar seu lápis na prova escrita. Todas as respostas devem ser colocadas diretamente na Answer Sheet. Agora imagine você, um pobre estudante de jornalismo que não entende po*** nenhuma de biológicas ou exatas respondendo cinco questões sobre uma aula de comportamento das massas no espaço, sem direito a anotar nada durante os 10 minutos de diálogo e sem repetição. É, pois é.
Acho que fui um pouco melhor nas questões de gramática, mas isso também não significa que eu ache que tenha mandado bem. Gente, eu não sei gramática nem em português, vou lá saber como é em inglês? Passei a semana tentando entender may/might/can/could/should, presente perfeito, presente mais que perfeito, pretérito imperfeito, voz ativa e passiva, agente da passiva (segundo um amigo meu, "aquele que sempre se disfarça de bicha escandalosa para descobrir esquemas de tráfico de drogas") e essas porra tudo aê. Cheguei na prova relativamente preparado. Fui relativamente bem. Fair enough.
Depois vieram as questões de interpretação de texto. Na real, acho que foi a parte mais fácil da prova. Os textos são longos, técnicos, cansativos e cada um tem de 6 a 9 questões a respeito (totalizando 50 questões no total). É a parte mais longa da prova (55 minutos) e também a que muita gente deixa coisas sem fazer, mas eu consegui resolver tudo e ainda sobrou um tempinho para perceber que tinha deixado uma questão sem marcar.
Já na minha redação, acho que fiz o melhor que pude e saí realmente satisfeito com meu resultado. O tema foi fácil: "as pessoas costumam escolher seus amigos pela semelhança ou pela diferença. Qual dos dois você prefere?". Fiz todo um discurso sobre como as diferenças nos completam enquanto seres humanos e o quanto a opinião divergente e as escolhas alheias podem ajudar na nossa formação. É importante dizer que os temas no TOEFL iBT não são tão simples e que você vai precisar produzir dois essays e não apenas um. No iBT, o essay entra na nota final, no PBT não.
Terminei a redação no exato momento em que o supervisor mandou parar de escrever. Bom lembrar que, depois de encerrada, você não pode voltar à uma seção, ou seja, depois que o tempo da prova de gramática acabar, mesmo que você termine a de leitura mais rápido, você não pode voltar pra resolver as que deixou em branco. Isso é considerado trapaça e se você for pego, é eliminado no ato (eles enfatizam essa regra várias e várias vezes).
Não sei se vou conseguir os 550 necessários para ser aprovado no programa. E, se considerarmos que Indústria Criativa (área prioritária na qual meu curso se encaixa) não é de fato uma área importante para o governo que quer melhorar no campo da pesquisa tecnológica, então só 550 não serão o suficiente. Agora serão 5 semanas até que eu possa saber se os US$210 (US$160 da prova e US$50 por ter se inscrito com atraso) investidos nessa maldita certificação me servirão de algo. Sim, o PBT demora 5 semanas para sair o resultado, embora o supervisor tenha nos orientado a ligar para a EST daqui a 15 dias para saber a nossa nota por telefone. O iBT sai em duas semanas porque é tudo virtual.
Até lá, é conter a ansiedade e torcer muito. Um amigo meu tirou 85 no iBT (equivalente a mais ou menos 575 no PBT) e conseguiu passar para a Universidade de Nebraska. Embarcou na terça. Espero conseguir o mesmo feito, já que as minhas sonhadas Berkeley Graduate School of Jornalism (University of California) ou o Arthur L. Clarke Jornalism Institute (NYU) pedem score acima de 600 para aceitarem alunos do exterior e a essa altura, são inalcançáveis.
Ao longo de todo o processo, vou tentar documentar aqui a minha experiência. Espero ser aprovado e poder voltar aqui dentro de algumas semanas para falar sobre minha jornada em busca do visto americano J-1. Assim, todos os elegíveis ao programa podem fazer desse cantinho aqui uma espécie de fonte na hora de lidar com os trâmites burocráticos do governo (que não são poucos, bom dizer).
Bom, nos vemos em alguns dias. Até lá é conter a ansiedade. Fingers crossed, guys!








2 comentários:
e qual foi sua nota? fiquei curiosa kkk
ahhh e parabéns pelos post, ajudou muito!!
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